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Em participação no programa “Frente a Frente”, parceria do portal de notícias UOL e da Folha de S.Paulo, o candidato ao governo de Pernambuco João Campos (PSB) abordou temas do cenário político nacional e as articulações para as eleições de 2026 nesta segunda-feira (03).
O presidente nacional do partido reafirmou o apoio de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à candidatura e diz que o presidente da República reconhece apenas um candidato na corrida eleitoral para governante do estado.
“O presidente Lula já manifestou seu apoio ao partido de forma, inclusive, quase unânime. A gente teve 86% do diretório do PT declarando apoio à nossa candidatura. O presidente Lula também disse que o único candidato no estado é a nossa candidatura. Mais que isso, é uma aliança de proposta e de projeto”, afirma.
Ao ser questionado sobre a postura de Lula, que tem adotado um “certo cuidado para não melindrar muito a adversária” em razão da relação institucional que mantém com Raquel Lyra (PSD), João Campos também foi confrontado com o fato de integrantes do próprio PT declararem apoio à gestora.
Em resposta, o candidato destaca que o presidente atua como um estadista, não adota uma postura de perseguição contra outros governos e que, inclusive, “fez questão de externar o apoio à candidatura em todos os momentos”.
“Se você pegar todo o campo bolsonarista, toda a direita organizada está na candidatura que faz oposição à nossa candidatura. As pessoas que celebraram a perseguição que o Lula sofreu não estiveram com ele em nenhum momento, inclusive da sua vida. Isso é muito claro na cabeça das pessoas. Agora, o presidente Lula é um estadista, alguém que governa sem perseguir. Isso é muito importante”, justifica.
“Gabinete de ódio” de Raquel Lyra
Ao ser questionado sobre o avanço de Raquel Lyra, principal adversária na corrida eleitoral, nas pesquisas, o candidato faz uma análise sobre o principal desafio a ser combatido.
“A gente está enfrentando um desafio de reeleição. A reeleição, como algumas pessoas falam, é uma das instituições mais poderosas do Brasil. Eu enfrentei a reeleição aqui para prefeito e tive 78% dos votos; o segundo colocado teve 12%. Então, é natural. O estranho seria se um governo não reagisse minimamente perto de uma reeleição”, diz.
Além disso, o ex-prefeito do Recife afirma que o eleitorado da atual gestão de pernambuco está utilizando de uma estratégia muito popular na extrema-direita desde as últimas eleições: a de informações falsas e ataques de ódio.
“Foi montada uma estrutura de ódio, de ataque e de fake news, um verdadeiro gabinete do ódio, lastreado pelos apoiadores da governadora, possivelmente financiado de alguma forma não esclarecida. Isso foi utilizado há mais de um ano e meio, diariamente, mentindo, caluniando e difamando não só o meu mandato como prefeito, mas também a minha família, minha esposa, sem medir nenhum limite na ordem dos ataques”, ressalta.
João Campos também critica a falta de projetos em torno de saúde e educação, e até mesmo industriais, do governo Raquel Lyra, alegando que está ocorrendo uma “paralisia do estado” em comparação aos outros do Nordeste.
Segundo ele, diferentemente da atual gestão, a maior proposta é fazer com que Pernambuco seja líder do Nordeste brasileiro e poder ter uma gestão reconhecida pelos pernambucanos.
“Não tem uma grande fábrica, indústria ou anúncio que tenha sido feito aqui no estado de Pernambuco nesses últimos anos. Grandes obras não vieram para Pernambuco, estão sendo feitas em outros estados. Então, no ambiente da comparação, eu não tenho nenhuma dúvida de que as pessoas vão conhecer”, expõe.
João desmente oligarquia no estado
Por fim, João Campos é questionado sobre as críticas de adversários que o classificam como representante de uma oligarquia política que exerce influência em Pernambuco há decadas e como ele reage a essas afirmações.
O ex-prefeito do Recife afirma que essa questão é uma mentira e que todos os mandatos foram conquistados por voto popular, além de que a família sempre teve uma resistência muito grande de grande parte da elite econômica no estado.
“Nós estamos aqui para fazer política, gestão pública e cuidado com o povo. Você não tem nenhum grupo econômico ligado a um ambiente da disputa eleitoral no nosso campo. A gente está falando de capacidade de fazer gestão de excelência, entregar resultado e compromisso com quem precisa”, diz.
Ele também ressalta que o primeiro acordo trabalhista do campo brasileiro foi feito por ex-deputado federal Miguel Arraes e que o bisavô lutou pelos trabalhadores, além de realçar as conquistas de Eduardo Campos, pai de João, no campo da educação.
“Ele construiu a maior rede de educação integral do Brasil, garantindo que Pernambuco tinha mais alunos em escolas de educação integral do que todo o Sudeste brasileiro junto, garantindo, inclusive, intercâmbio”, explica.
O presidente nacional do PSB rebateu a narrativa de que representa uma continuidade das oligarquias políticas pernambucanas. Ele declara que, ao longo da história, esse discurso é recorrente em todas as eleições, mas as críticas sobre a origem da atuação dele no campo político costumam ignorar o histórico de enfrentamento e de defesa de pautas sociais.
“Isso incomoda parte da elite brasileira. Quando vê o povo sendo cuidado, atendido e acolhido, isso incomoda parte da elite. Nós sempre enfrentamos essas pessoas e vamos continuar enfrentando, porque estamos ao lado do povo. E, se for preciso enfrentar quem é poderoso, quem tem dinheiro e quem acha que é dono do poder, a gente está à disposição para enfrentar nas urnas”, finaliza.









