Além dos acidentes físicos, especialista destaca que fatores como assédio, sobrecarga e pressão podem causar adoecimento mental
Clique aqui e escute a matéria
O Dia Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho, celebrado nesta segunda-feira (27), reforça o alerta para a necessidade de ambientes profissionais mais seguros e saudáveis. Criada inicialmente com foco na redução de acidentes físicos, a data também passou a incorporar um debate mais amplo sobre os riscos presentes no cotidiano laboral.
Além do uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual e Coletiva (EPIs e EPCs), movimentos mais recentes apontam que a prevenção precisa considerar fatores psicossociais, como sobrecarga, pressão excessiva, conflitos e outras situações que podem contribuir para o adoecimento mental dos trabalhadores.
Riscos psicossociais também precisam ser prevenidos
Dados do Ministério da Previdência Social revelam que, em 2025, o Brasil registrou o maior número de afastamentos do trabalho em decorrência de transtornos mentais em uma década. Foram mais de 546 mil casos, figurando como a segunda maior causa de afastamento, atrás apenas de doenças que afetam a coluna.
Segundo a psicóloga e perita judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-6), Laura Pedrosa Caldas, fatores como pressão excessiva, modelos de gestão inadequados, conflitos, violência psicológica e falta de equilíbrio entre vida profissional e pessoal podem impactar diretamente a saúde dos trabalhadores.
A especialista, autora do livro A saúde mental por um fio de alta tensão: entre os riscos psicossociais invisíveis e a governança psicossocial, defende que a saúde mental deve ser tratada como parte da estratégia de segurança das organizações, e não apenas como uma responsabilidade individual de quem adoece.
“Quem mais adoece pessoas são pessoas. A empresa não sai ilesa – assume o ônus da rotatividade, absenteismo (falta ao trabalho), presenteismo (baixa produtividade), retrabalhos e boicotes de trabalhadores.”
Entre os fatores que podem prejudicar a saúde mental estão excesso de cobrança, jornadas desgastantes, falta de autonomia, insegurança, relações abusivas e ambientes onde o trabalhador não se sente ouvido.
Prevenção depende de empresas e trabalhadores
Laura, que também é pesquisadora parceira do Programa Conecta Saúde do Grupo Belz Seguros, destaca que ações preventivas precisam envolver toda a organização, passando pela liderança, pelos processos internos e pela criação de espaços de diálogo.
“O papel das empresas na prevenção do adoecimento mental é avaliar os fatores de risco para definir indicadores e mensurar resultados por meio de intervenções. E na mesma avaliação, identificar fatores protetivos para aumentar os vínculos dos trabalhadores com a empresa e minimizar eventuais insatisfações”.
Para Laura, o cuidado com a saúde mental deve fazer parte da cultura de segurança das empresas, assim como já ocorre com medidas relacionadas a equipamentos de proteção, treinamentos e controle de riscos físicos.
Assista ao videocast Uma por Uma: O mercado de trabalho e as desigualdades que ainda pesam sobre as mulheres
O mercado de trabalho e as desigualdades que ainda pesam sobre as mulheres









