Com mais de 730 mil profissionais no país e seis décadas de regulamentação, setor se moderniza e abre espaço para capacitação e expansão
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A expansão contínua do mercado imobiliário brasileiro tem impulsionado a busca por uma das profissões mais tradicionais do País. Regulamentada em 27 de agosto de 1962, a atividade de corretor de imóveis completa mais de seis décadas demonstrando forte ritmo de crescimento. De acordo com dados do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci), o Brasil conta atualmente com mais de 730 mil profissionais em atuação — um salto de aproximadamente 200% em pouco mais de dez anos. O avanço reflete uma mudança estrutural no setor: se no passado a corretagem costumava ser encarada como renda complementar, hoje figura como escolha principal de carreira ou porta de entrada para quem busca novos rumos profissionais.
Essa curva ascendente impulsiona os planos das grandes empresas do segmento em diversas regiões. Em Pernambuco, por exemplo, a construtora MRV contabiliza cerca de 138 corretores autônomos credenciados, com forte atuação na Região Metropolitana do Recife. Atingida pela demanda de novos lançamentos habitacionais, a companhia projeta ultrapassar a marca de 200 credenciamentos no estado até o fim deste ano.
Para a gestão comercial da empresa, a figura do corretor permanece insubstituível mesmo diante da evolução dos meios de venda. “O corretor representa um dos principais e mais seguros contatos com o sonho da casa própria. Ele tem propriedade para entender as necessidades e os anseios das pessoas e apresentar a solução mais adequada”, destaca Pedro Farias, gestor comercial da MRV em Pernambuco.
Capacitação e histórias de recomeço
Para absorver profissionais vindos de outras áreas, a empresa aposta em trilhas de formação contínua que preparam os credenciados desde o primeiro dia. Essa oportunidade de recomeço marcou a trajetória de Jediael Lemos, de 39 anos. Com experiência prévia em comércio, ele atuava em vendas desde a juventude, mas nunca havia considerado o ramo imobiliário até passar pelo processo seletivo da empresa, onde atua há nove anos.
“Trabalhei desde os 16 anos com vendas, porque minha mãe sempre foi comerciante e eu peguei muito isso dela. Atuei em diversas áreas, mas jamais tinha pensado em entrar para a corretagem. Participei da seleção e pedi para começar já no dia seguinte”, relembra Lemos.
A adaptação exigiu dedicação e apoio de colegas mais experientes, fórmula que permitiu ao profissional construir um histórico de mais de 350 apartamentos comercializados. “Também me desafiei, fui atrás, busquei conhecimento e fui criando meus diferenciais. Hoje, tenho uma carteira de clientes consolidada, oriento cada um deles e faço a ponte para que possam resolver documentação e outros impedimentos”, pontua. O resultado do trabalho se converteu em patrimônio: Lemos conquistou dois imóveis próprios, realizou viagens e garantiu maior estabilidade financeira para a família.
Do impresso às redes sociais
A evolução da categoria ao longo dos últimos 60 anos também acompanha as profundas transformações nos hábitos de consumo. Se nas décadas passadas a busca por um imóvel dependia prioritariamente de anúncios classificados em jornais de papel, hoje o primeiro contato ocorre na tela do smartphone.
Essa migração para o ambiente digital tornou-se ferramenta indispensável de trabalho. O corretor Luiz Fernando, de 36 anos, atua há dois anos na MRV e já contabiliza cerca de 40 unidades vendidas em Pernambuco apoiando-se fortemente na produção de conteúdo para a internet.
“O que mais atrai clientes são as redes sociais, além das indicações e das prospecções feitas pela empresa”, relata o corretor, que mantém um perfil ativo no Instagram para atrair compradores e planeja contratar suporte especializado para potencializar seu alcance na rede. “Meu objetivo é ter ainda mais qualidade de vida e poder ajudar minha família”, conclui.







